Como a LGPD vai transformar o mercado das agências de marketing em 2021

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O marketing digital lida diretamente com dados de terceiros quando se capta um lead, porém a LGPD pode ser uma boa oportunidade para agências.

Em vigor a partir de agosto de 2020, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) fará necessária uma mudança brusca nas operações de empresas que utilizam dados de seus clientes e usuários. Os dados só poderão ser utilizados se obedecerem às normas da LGPD de forma consentida, transparente e objetiva.

Muitas empresas têm investido em Compliance e Cibersegurança para adequação das novas diretrizes da Lei. Porém, nota-se que empresas voltadas para o segmento de comunicação e marketing não estão atentas aos cuidados com as penalidades da LGPD.

De acordo com Josimar de Assis Lira, do escritório de advocacia Assis Lira, a adequação de Landing Pages e formulários, Email Marketing, anúncios patrocinados e outras estratégias de Marketing Digital deve levar em consideração a permissão de armazenamento de dados dos usuários.

“O maior problema desse processo está na aquisição de dados pessoais sem o conhecimento e a autorização dos titulares dos dados, ou seja, das próprias pessoas donas dos dados”, comenta Josimar.

Não compartilhar dados de Leads sem autorização

Outro item importante da Lei para as agências de Marketing está relacionado ao compartilhamento de dados. Caso um Lead venha de uma Landing Page da agência, as empresas responsáveis pelo armazenamento não podem passar os dados coletados para outras empresas sem autorização, mesmo que sejam empresas parceiras. Na prática, significa que leads, clientes e parceiros, precisam confirmar que desejam ser contatados.

Segundo Josimar é necessário ter certeza da permissão de que eles desejam ser contatados. Portanto, uma caixa pré-marcada que os habilita automaticamente não funcionará mais – os opt-ins precisam ser uma escolha deliberada.

“É necessário que o Lead esteja ciente e tenha autorizado o compartilhamento dos seus dados. Afinal, os dados são dele. Por exemplo, vamos pensar que a sua empresa realize um evento. No dia seguinte, você decide compartilhar a lista de inscritos com todas as empresas que apoiaram o evento, sem o conhecimento dos leads. Isso pode se tornar um grande problema”, ressalta Josimar. 

Principais aspectos da LGPD no Marketing

Embora a maior parte do foco em relação aos requisitos de e-mail da LGPD tenha se centrado em e-mail-marketing e spam, há outros aspectos, como criptografia e segurança de e-mail, que são igualmente importantes para a conformidade com a LGPD.

Os profissionais de marketing terão uma grande responsabilidade para garantir que seus usuários possam acessar facilmente seus dados e remover o consentimento para seu uso. 

Segundo Josimar, em termos práticos, isso pode ser tão simples quanto incluir um link de cancelamento de assinatura em seu modelo de marketing por e-mail e um link para o perfil do cliente que permite aos usuários gerenciar suas preferências de e-mail.

“A LGPD oferece aos indivíduos um método para obter mais controle sobre como seus dados são coletados e usados – incluindo a capacidade de acessá-los ou removê-los – de acordo com seu direito de serem esquecidos. É necessário lembrar que na Europa, o tratamento de dados pessoais com “base legal insuficiente” é um dos principais motivos de punições. Por exemplo, a Tim fez diversas comunicações comerciais na Itália entre 2017 e 2019 sem autorização, além de outras atividades que desrespeitam a GDPR, resultando no pagamento de uma multa de € 27.800.000,00 em janeiro de 2020”, comenta.

LGPD: oportunidade de ouro para profissionais de marketing

A LGPD não tem um impacto negativo na forma como as agências trabalham. A nova Lei pode parecer intimidadora e as multas emitidas pela ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) são suficientes para fazer você repensar toda a sua estratégia de marketing. Mas, na realidade, esta nova legislação não é um retrocesso. Na verdade, é uma grande oportunidade para os profissionais de marketing fazerem o que sabem de melhor – criar campanhas de marketing direcionadas com pessoas que estão engajadas com as marca.

Ainda de acordo com Josimar, a LGPD precisa de consentimento explícito para usar os dados de um indivíduo. Os clientes das agências também podem perguntar exatamente que tipo de informação você tem sobre eles, com quem são compartilhadas e para que finalidade, o que pode criar novas demandas de trabalho para os profissionais de marketing.

“Vale lembrar que a LGPD não foi projetada para impedir que as empresas se comuniquem com seus clientes. Muito pelo contrário, na verdade, isso levou a um aumento na qualidade dos dados, e é por isso que os melhores e mais engenhosos profissionais de marketing estão vendo o panorama geral de forma positiva, pois é uma oportunidade de se aprofundar nas necessidades de seus clientes, e em potenciais prospects, em vez de oferecer serviços tradicionais, há novas maneiras de monetizar com novas soluções adequadas a LGPD “, finaliza Josimar.

Fonte: Mstudio Conteúdo Editora

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